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“Águas de Março”, 45 anos depois... Eterna!
Publicado em 02/03/2017 às 13:20

Em maio de 1972, o famoso jornal carioca "O Pasquim" chegava às bancas com um encarte especial, que trazia um compacto com duas canções.

Mais do que agradar aos leitores, o disquinho marcaria para sempre a música brasileira. Era no lado A que estava “Águas de Março”, pela primeira vez apresentada ao público.

Mas foi dois meses antes desse discreto lançamento, há exatos 45 anos, que começou a história da composição de Tom Jobim (1927-1994). Uma música que se tornaria clássico tardio da Bossa Nova e até hoje famosa mundialmente.

Por recomendação médica, em março de 1972 Jobim passava o fim do verão buscando o ar puro do campo, no sítio da família em São José do Vale do Rio Preto, região serrana do Rio.

O cenário bucólico inspirou os esboços de “Matita Perê” – álbum lançado um ano depois, com “Águas de Março” encabeçando a lista de oito músicas.

“Naquele tempo meu pai tinha decidido parar de beber e fumar, depois de levar uma dura do médico”, recorda o músico Paulo Jobim, filho de Tom. “Acho que até na letra da música ele revelou um pouco da angústia e do medo da morte”.

Paulo cita como exemplo desta “crise existencial” os versos “é um resto de toco/é um pouco sozinho”, “é a noite/é a morte” e “é promessa de vida no teu coração”.

Na época com 22 anos, o filho mais velho do compositor ainda recorda a primeira vez que viu o pai tocar a canção. “Estávamos na casa do Zanine [o arquiteto baiano José Zanine Caldas (1919-2001)], quando ele começou a tirar as notas do violão. A música era grandiosa, me impressionou muito”, recorda. “E a minha tia [Helena Jobim] foi uma das primeiras a ver a letra, rascunhada em um saco de pão”.

“Águas de Março” não teve reconhecimento imediato, como conta o crítico musical Nelson Motta. “Nessa época Tom Jobim não andava muito popular, trabalhava mais nos Estados Unidos, e a Bossa Nova era um passado remoto diante da MPB de oposição”, explica.

O relançamento da música no disco “Matita Perê”, um ano depois da estreia no encarte de "O Pasquim", também não contribuiu para que a música caísse no gosto do público com força total.

Segundo Motta, o sucesso avassalador de “Águas de Março” viria apenas dois anos depois da estreia, na parceria do compositor com Elis Regina. “Com a qualidade musical da Elis, a música teve uma interpretação perfeita, com um arranjo definitivo e finalmente decolou para a popularidade”.

A versão de 1974, produzida por César Camargo Mariano, foi gravada no estúdio MGM, em Los Angeles, para “Elis e Tom” – álbum que comemorava os dez anos da cantora na gravadora Polygram.

“Ganhei de presente um encontro com Tom. Foram momentos vividos por duas pessoas muito tensas, que só conseguem descontrair através da música”, escreveu Elis no encarte do álbum à época.

Segundo a escritora Regina Echeverria, autora da biografia “Furacão Elis”, com a gravação, a “pimentinha” se redimia com a turma de Tom, João Gilberto e companhia.

“De uma certa maneira, a Elis havia enterrado a Bossa Nova quando surgiu cantando ‘Arrastão’ a plenos pulmões, totalmente diferente daquele estilo baixinho e contido que vigorava até então”, diz a autora citando a canção que saiu vitoriosa no I Festival Nacional da Musica Popular Brasileira, de 1965, na interpretação da cantora.

Para celebrar os 45 anos desta belíssima canção que marcou gerações, o Portal ITALO presenteia as leitoras e leitores com este vídeo, onde Elis surge magistral interpretando essa maravilha criada pelo mestre Jobim.

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