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Discoteca Retrô
Há mais de 40 anos, feito um profeta, Raul Seixas previu que a terra iria mesmo parar!!!
Publicado em 17/03/2020 às 08:57

Raul Seixas, o nosso Raulzito, sempre teve um quê de profeta. Não à toa, seus fãs, muitas vezes, parecem mais seguidores. Uma espécie de Antônio Conselheiro do rock tupiniquim – e Raul lidava com essas distâncias entre o hemisfério Norte e o Sul de maneira magistral – nos deixou canções inesquecíveis, como todos sabem e cantam.

Uma delas, no entanto, soprada pela internet, nesta semana em que o planeta está ameaçado e acuado, com as pessoas trancafiadas em suas casas, nos fez subir um nó na garganta acompanhada de uma inevitável vontade de rir: “O DIA EM QUE A TERRA PAROU”.

Lançada em seu álbum de 1977, um dos últimos de sua curta e profícua carreira, a canção batiza o disco. Na mesma bolacha que trazia a emblemática “Maluco Beleza”, uma espécie de autobiografia do Raulzito, está lá a profecia fulminante do cantor, que nem os seus fãs mais ardorosos sonharam que, um dia, tantas décadas depois, poderia fazer algum sentido.

Na canção, feita em parceria com Cláudio Roberto, Raul parecia prever a crise do coronavírus. Descreve com maestria o que se passa em diversos países da Europa, sobretudo na Itália. Ela antevê também, e não se iludam os caros leitores, o que está prestes a ocorrer nas Américas, se os seus governos tiverem algum juízo.

ASSISTAM O VÍDEO E CANTEM JUNTOS:

Foi assim

No dia em que todas as pessoas

Do planeta inteiro

Resolveram que ninguém ia sair de casa

Como que se fosse combinado em todo

O planeta

Naquele dia, ninguém saiu de casa, ninguém ninguém

O empregado não saiu pro seu trabalho

Pois sabia que o patrão também não tava lá

Dona de casa não saiu pra comprar pão

Pois sabia que o padeiro também não tava lá

E o guarda não saiu para prender

Pois sabia que o ladrão, também não tava lá

E o ladrão não saiu para roubar

Pois sabia que não ia ter onde gastar

E nas Igrejas nem um sino a badalar

Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá

E os fiéis não saíram pra rezar

Pois sabiam que o padre também não tava lá

E o aluno não saiu para estudar

Pois sabia o professor também não tava lá

E o professor não saiu pra lecionar

Pois sabia que não tinha mais nada pra ensinar

O comandante não saiu para o quartel

Pois sabia que o soldado também não tava lá

E o soldado não saiu pra ir pra guerra

Pois sabia que o inimigo também não tava lá

E o paciente não saiu pra se tratar

Pois sabia que o doutor também não tava lá

E o doutor não saiu pra medicar

Pois sabia que não tinha mais doença pra curar

Coincidência ou não, nesses tempos de medos e incertezas, Raul nos traz mais uma vez talento e sabedoria. Naqueles idos de tantas esperanças, de 1977, não poderíamos jamais imaginar que, 43 anos depois, a terra iria de fato, parar!!!

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