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Toca Raul, toca!!! O gênio que conquistou a imortalidade!
Publicado em 07/08/2017 às 16:11

Na história da música brasileira figura em ato relevo, cintilando como ouro, o álbum de maior sucesso de Raul Seixas: “Gita”

Quando foi lançado, há 43 anos, provocou um verdadeiro vendaval, vendendo mais de 600 mil cópias, tornando-se disco de ouro! Vender mais de meio milhão de discos nos tempos áureos do vinil era realmente um assombro!

No disco, sucessos atemporais como “Sociedade Alternativa”, “Medo da Chuva”, “Trem das 7”, “S.O.S” e a canção-título “Gita”, que marcou a genialidade do cantor. A partir deste álbum, Raul Seixas consolidou seu nome na história do rock nacional! E conquistou uma legião de fãs e fez história, se eternizando pela sua genialidade.

Mesclando o rock clássico, “Super-heróis”, com blues, “Moleque Maravilhoso”, e até mesmo o repente nordestino, “As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”, Raul incorporou inovações no gênero, alternando em algumas músicas a cultura baiana e em outra o rock americano, este terceiro álbum do cantor mostrou maturidade nas composições e sonoridade. Repito, RS é realmente genial!!!

Além da experiência que Raul Seixas havia demonstrado o álbum também é importante para a História, devido a volta do cantor do exílio forçado nos EUA, ocasionado pela perseguição do governo militar.

Logo na capa do disco Raul provoca o governo vigente utilizando uma boina vermelha, insinuando ser um guerrilheiro, bem como a guitarra toda vermelha, cor do comunismo.

Genialidade na crítica à Ditadura Militar é encontrada nas canções atemporais como “Sociedade Alternativa” e “S.O.S”, letras instigantes que transmitiram mensagens contra o método de alienação introduzido pelo governo militar à população na época.

“S.O.S” é uma brilhante canção metafórica, em que Raul Seixas discorre a rotina da população em um domingo apático, alienados que sem se perguntar o motivo seguem a vida como formigas. Na mesma música, Raul relata a violência policial e a falta de informação fornecida pelo governo militar, tendo como alternativa fugir do caos em que vive no primeiro disco voador que surgir.

Já em “Sociedade Alternativa”, Raul fez um hino da liberdade de expressão na época em que tudo que estava contrário à ideologia do governo era censurado.  Porta-voz da juventude e militantes contra o regime militar o seu refrão “Faça o que tu queres, pois é tudo da lei” tornou-se a palavra de ordem contra o governo.

Detalhe importante: Naqueles anos 70, no Brasil não havia a liberdade de escrever ou falar como agora. E a gente nem imaginava que um dia existiria o Facebook, o Tio Google e nem a comunicação cibernética que domina o planeta agora... Tempo dominado pelos coturnos, o couro comia contra os que pensavam diferente da ditadura em vigor. Liberdade de expressão era apenas um sonho inatingível então. Hoje, falam mal até de Cristo!

Escrito em sua maioria na parceria com o escritor Paulo Coelho – assinaturas que seriam marcadas durante a carreira de ambos, até se consolidar com outro famoso álbum de Raul, “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás”, lançado em 1976 – “Gita” é um álbum importante para a história fonográfica nacional, deixou marcas do rock n’ roll que influenciaria diversas bandas dos anos de 1980, bem como fez de Raul Seixas o Rei do Rock nacional, conquistando fãs de todas gerações, mistificando seu nome na atualidade.

Raul Seixas teve mais outros grandes sucessos após “Gita”, discos que tiveram críticas sociais aprofundadas com poesias singelas que marcaram a carreira do cantor, dentre eles o já citado “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás” (1976), “O Dia Em Que a Terra Parou” (1977) e “Abra-te Sésamo” (1980), além da outra parceria, modéstia à parte igualmente genial, com o cantor Marcelo Nova, que juntos inovaram o gênero nos anos de 1980.

Raul Seixas faleceu em 21 de agosto de 1989, aos 44 anos. Nestes poucos anos de carreira, Raul Seixas deixou um legado de músicas que até hoje dialogam com a sociedade, lutando para que haja mais respeito das diversidades e alternativa para fazer o que quiser, enfrentando padrões e comportamentos desmantelados.

Neste momento, fico aqui a pensar, quantos artistas já não passaram por esse planeta como um cometa? E quantos já nos deixaram saudades sem mesmo termos tido o contato com eles?

Fã assumido, para mim Raul Seixas é sem dúvida um deles. Será lembrado sempre quando revisitarmos músicas revolucionárias e mitos que viraram de cabeça para baixo a música e o cenário nacional. E, insisto em repetir, quando tudo era proibido dizer e fazer!!!

A cultura, os costumes e até outras artes foram influenciadas por esse maluco beleza. Suas letras viajavam entre o realismo e o surrealismo. Tinha métodos de trabalhos que para a época eram mágicos e inéditos.

Talvez não tenhamos nunca mais um novo Raul Seixas, sendo assim podemos e, principalmente, devemos exaltar seu trabalho e dedicação à música. Sem seu legado, a música verde-amarela provavelmente teria tomado um rumo diferente, desanimado e estranho.

Uma dica: Para quem ainda não conhece Raul Seixas e quer se aprofundar mais na cabeça desse artista genial, indicamos o filme de 2012 do diretor Walter Carvalho, “Raul – O Início, O Meio e O Fim”, documentário que desvenda sua mente, conta detalhes de seus trabalhos, as parcerias com o escritor Paulo Coelho por exemplo, sua vida pessoal e ainda como o cantor ainda conquista fãs, mesmo décadas depois de sua morte. Ele conquistou a imortalidade, ele deixou marcas para todo o sempre. É por isso que ainda berro implorando: Toca Raul, toca!!! (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

Ae galera jovem, destes novos tempos de música vazia, idiota e sem sentido: curtam este vídeo reunindo os sucesso deste disco memorável de Raaaaaaaaaul Seixas!!!

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