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NA TRILHA DA HISTÓRIA
Alto-falante foi o primeiro veículo de comunicação de Umuarama
Ele entrou no ar no Ano Novo de 1960 e foi o precursor da nossa ‘mídia’
Publicado em 06/05/2024 às 21:26 Ítalo
Alto-falante foi o primeiro veículo de comunicação de Umuarama

Raiava o dia… Aliás, um dia muito especial no calendário anual. Um belo céu azul e uma paz celestial, seguido de um sol iluminando o Ano Novo da pequena cidade. Calor de verão já nas primeiras horas.

De repente… uma surpresa bombástica!!! Realmente um presentão de Ano Novo para a comunidade. A data: 1º de janeiro de 1960. De surpresa entrava em ação o primeiro veículo de comunicação nesta pequenina cidade que então vivia distante da civilização e não possuía nenhum porta-voz de notícias e nem de cultura musical.

“Bom dia, Umuarama!!!” – saudou uma voz masculina. Segundos depois, uma sonora voz feminina exclamou em alto e belo som: “Bom dia, Capital da Amizade!!!”. A seguir, durante alguns segundos, roda uma gravação que retumbou por todos os cantos: “Esta é A Voz de Umuarama!!!”. Eram exatamente oito horas da manhã e ato contínuo foi ao ar a oração católica em louvor à Virgem Maria – a “Ave Maria” – que seria repetida às 18 horas encerrando a programação do dia.

No decorrer da jornada, a população ouvia os sucessos da época, informações que eram colhidas das emissoras de São Paulo e propagandas do comércio local. Também veiculava recados que os ouvintes levavam pessoalmente escritos à mão em folhas de cadernos. Outros faziam pedidos de músicas também por escrito e os deixavam nas mãos dos locutores.

“A Voz” estava instalada na esquina das ruas Paiçandu (hoje Ministro Oliveira Salazar) com Arapongas, a poucos metros da Praça Arthur Thomaz que então era a primeira estação rodoviária e rodeada por casas comerciais e armazéns de secos e molhados… O fundador foi o pioneiro Francisco Mariano Pires, que também cuidava da venda de anúncios.

Tanto a produção como a apresentação da programação artística de “A Voz” estava a cargo do casal Adilson Silva e sua esposa Ana Augusta Silva (que adotou o pseudônimo “Ana Maria”). Durante a semana o repertório musical, na maioria, era das sugestões dos sucessos dos cantores brasileiros mais famosos daquela época. Os preferidos eram os artistas da música caipira (não confundir com sertanejos!), sambas, românticas e da Jovem Guarda que estava começando a dominar o cenário nacional com seu estilo rock and roll. E, na sequência, Roberto Carlos virou Rei e suas canções tocavam em disparada a toda hora…

Aos domingos, de manhã acontecia uma pausa, pois a pouco mais de dois quarteirões estava a primeira Igreja São Francisco de Assis onde acontecia a sagrada missa dominical. No período vespertino, depois do almoço, “A Voz” voltava ao ar mas apenas com programação musical, veiculando as canções mais pedidas durante a semana. Às 18 horas silenciava para só voltar na manhã da segunda-feira, quando em Umuarama o comércio voltava a ferver com a população de regresso à vida normal.

UMA VOZ ALTA NO CORAÇÃO DA CIDADE!

A estrutura do alto-falante “A Voz de Umuarama” se resumia a uma casinha pequena, estreita, com uns 30 metros quadrados no máximo – onde o casal de locutores tinha à disposição uma mesa com duas radiolas para tocar músicas (eram os tempos dos discos de vinil) e entre eles um microfone para os apresentadores. No alto acima da mesa havia um solitário relógio para que eles informassem a hora certa para os ouvintes e atrás uma estante com os discos. Enquanto as canções rodavam no ar, eles descansavam cada um numa cadeira. O piso interno também era de tábuas de madeira. E uma pequena lâmpada iluminava o ambiente. Só tinha isso, cercado por paredes de tábuas.

À sua frente, numas paredes havia um janelão que ficava aberto o dia todo para atender os ouvintes que iam lá para deixar suas sugestões musicais. Ao redor do estúdio, num terreno de tamanho comercial, tudo era de terra, não havia pisos cimentados – ou seja, quando chovia ninguém aparecia porque a área virava lama…

Numa lateral do estúdio havia um cômodo pequeno onde estava instalado um motor elétrico movido a diesel. Ele era mais baixo que a altura do estúdio e permanecia fechado para que seu barulho não interferisse no falatório dos dois locutores.

UMA ANTENA GIGANTE ERA ATRAÇÃO DA ÉPOCA…

Além do som alto que repercutia em todas as direções do antigo centro da cidade, um ‘personagem’ chamava a atenção dos antigos habitantes e de todos os visitantes que passavam por aqui… Era a antena alta que sustentava os alto-falantes instalados no alto. Ela era feita com um tronco de madeira de peroba de quase 50 metros de altura. Dava para se notar que havia em sua extensão curtas tábuas pregadas transversalmente no tronco, que serviam como escada para os técnicos que precisavam subir para consertar aqueles aparelhos em caso de alguma falha.

Imaginemos o perigo que corriam os corajosos técnicos… Hoje seria impensável algo assim e proibido pelas leis de segurança diante da fragilidade e de completa falta de equipamentos de proteção humana.

Por sorte a torre da ‘Voz’ nunca foi alvo de uma forte ventania, pois pelo seu peso e sua altura oferecia riscos à vizinhança caso caísse.

CHEGOU A RÁDIO CULTURA… E A ‘VOZ’ SE CALOU PARA SEMPRE!

“A Voz” teve uma história curta, mas memorável: ela marcou a vida dos precursores que fundaram a cidade e de todos aqueles que chegaram pouco tempo depois de sua fundação. Foram alguns anos gerando alegria e entretenimento nos primeiros tempos da Capital da Amizade.

No dia 16 de junho de 1963 a Rádio Cultura iniciou suas atividades aqui e decretou o fim do alto-falante. O motorzinho foi desligado, os alto-falantes silenciaram, o estúdio foi fechado e “A Voz” emudeceu para sempre! Adilson Silva no mesmo dia fez sua estreia na emissora e sua esposa Ana foi ser dona-de-casa. Ele, tempos depois, se aposentou dos microfones e abriu uma banca de venda de revistas e jornais na Avenida Paraná.

Nesta crônica penso resgatar aquele que foi o primeiro veículo de comunicação de Umuarama. Sim, porque “A Voz” durante a sua existência exerceu as mesmas atividades das emissoras de rádio que existiam no passado e o que as atuais fazem hoje, veiculando informação e cultura musical. E seu valor é ainda maior porque era um período em que predominava um vazio pois não existia ainda a imprensa neste fim de mundo…

Digo resgatar porque quando se produzem reportagens sobre a mídia local, ela fica ausente. Coleciono um monte de artigos e trabalhos feitos por universitários e até por supostos historiadores desta cidade que simplesmente nem sabem da existência de “A Voz”. Isso faz com que estudantes das áreas de publicidade, propaganda e jornalismo sejam privados desse importante capítulo histórico umuaramense! E faço desta crônica uma homenagem a todos aqueles que atuaram na instalação do saudoso alto-falante cujo som parece ainda ecoar hoje na minha memória… (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

WWW.COLUNAITALO.COM.BR

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