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NA TRILHA DA HISTÓRIA
ANTIGAMENTE, A BÚSSOLA ERA O CELULAR EM UMUARAMA
Antes e tempos depois da fundação da cidade, andar com uma bússola era como hoje portar um celular...
Publicado em 23/02/2026 às 17:51 Ítalo
ANTIGAMENTE, A BÚSSOLA ERA O CELULAR EM UMUARAMA

Os jovens e até mesmo aqueles que estão na faixa dos 30 e poucos anos, podem não acreditar, mas esta história que vou contar agora é real, apesar de parecer fruto da imaginação deste repórter. Mas, os mais antigões, hoje no inverno de suas vidas e com a cabeça coberta (ou não) de cabelos brancos, vão concordar que no seu tempo de juventude era isso que acontecia conforme vou narrar a seguir...

Na alvorada dos anos 1950 e no decorrer dessa década, enquanto ainda resistia a floresta fechada neste Noroeste imenso, portar uma bússola equivalia ao mesmo hábito da geração virtual de agora de andar com seu inseparável celular. A utilidade e o afeto eram exatamente iguais. Eram os tempos remotos do desmatamento e pré-colonização de Umuarama, mais de 70 anos atrás...

Já imaginaram alguém tentando rasgar uma mata virgem, absolutamente compacta de árvores, numa emaranhada escuridão de cipós, trepadeiras e sem nenhum rumo a seguir? Como, aqueles antigos “picaretas” que vendiam terras aos compradores almofadinhas, que vinham de São Paulo e de outros estados brasileiros, podiam se deslocar por este sertão fechado para levar aquela gente para ver de perto as áreas que estavam comprando? Como os guias, contratados por expedições, podiam se situar no meio de um labirinto verde de proporções descomunais? Eram milhares de quilômetros quadrados de matas fechadas...

Imaginar onde era o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste, sem uma bússola era algo, no mínimo, de uma absurda maluquez. E, nessas horas, perdido num mundo verde gigantesco, não há bola de cristal que resolva uma situação de pânico para quem não conhecia absolutamente nada desse gigantesco cenário ainda não desbravado. Ainda mais para aqueles endinheirados burgueses, acostumados às metrópoles de antigamente. Cair numa selva destas, sem alguém para guiá-los, é a mesma coisa que um cego andar no meio de um tiroteio sem cão de guarda...

Recordo de pioneiros me contando que a bússola, para aqueles desbravadores, era não só um instrumento de precisão, mas um verdadeiro salva-vidas inseparável. Muitos deles, guardaram, anos mais tarde, quando a região já estava colonizada, essas bússolas como verdadeiros amuletos da sorte, companheiros de terríveis jornadas pelo desconhecido.

Para eles, uma bússola era uma jóia, que merecia ser preservada carinhosamente para recordar uma época de aventuras inacreditáveis que eles viveram. Alguns, mais tímidos, tinham até vergonha de mostrar aqueles “brinquedinhos mágicos”, pois os seus netinhos não acreditariam que a sobrevivência daqueles desbravadores do passado dependia de um instrumento tão pequeno, frágil e esquisito que pudesse ter a importância que tinha.

AS BÚSSOLAS ERAM VERDADEIRAS JÓIAS PRECIOSAS...

Recordo bem que, na década de 1960 ainda existiam nas poucas relojoarias da cidade, localizadas ao redor da antiga Praça Arthur Thomas, bússolas à venda. Elas resplandeciam, com seus ponteiros e mostradores fascinantes, nas vitrines. Lembro que alguns mateiros, que trabalhavam para as serrarias, carregavam essas “jóias” penduradas por cordões dourados nos bolsinhos das calças, como se fossem relógios de ouro, outro costume característico da época. Ter uma bússola ou um relógio fino, além de tudo, era sinal de riqueza e status social.

Algumas famílias, até hoje, preservam por tradição tais bússolas: “Essa bússola era de meu avô”, orgulham-se alguns. Outros, simplesmente ignorando a sua utilidade no passado, as jogaram no meio das tralhas no fundo do quintal... (Em tempo: quem tiver alguma bússola, que guarde: são relíquias que valem muito $$$$$)

Numa gavetinha da minha memória, ao escrever esta crônica, encontrei uma pérola: estava eu uma noite, num bar conceituado dos anos 1960, onde havia uma salinha exclusiva e privada para jogos de baralho, a dinheiro. Um tunguete, como se dizia antigamente. A grana em disputa no pano verde era alta. Um dos jogadores havia ficado duro, o seu rival de jogo havia limpado seus bolsos. E o jogo, em seu momento mais emocionante, exigia uma quantia alta na aposta. Como o azarado não tinha mais grana, estava quase saindo da parada. De seu oponente veio a provocação final: “Tudo bem, coloca na mesa a sua bússola!”.

O cara quase chorou, mas acreditava na generosidade da sorte e arriscou abrir mão do precioso instrumento, inseparável e de valor sentimental inestimável: “Tudo bem”, suspirou. Plaft! Cartas na mesa. O desafiante perdeu... O cara se ajoelhou e agradeceu aos céus ter ganhado aquela montanha de dinheiro e, principalmente, ter salvado a honra de sua amada bússola, que era banhada a ouro e reluzia sob a luz do lampião como se fosse uma obra de arte. Essa é apenas uma amostra de quanto valia uma bússola...

SÓ OS ÍNDIOS XETÁ NÃO PRECISAVAM DE BÚSSOLAS...

Na verdade, os únicos que conheciam esse sertão perigoso, misterioso e inabitado dos meados do século 20 eram os índios Xetá. Sabiam o destino de cada trilha, porque elas haviam sido abertas por eles. E não precisavam de bússolas para sulcar aquelas entranhas das florestas sem se perder, afinal haviam nascido e crescido aqui. E as feras selvagens, onças e tudo o mais de bichos que haviam aqui.

Filhos da terra, se guiavam pelo Sol e a Lua, companheiros infalíveis das andanças selvagens pelo território que pertencia a eles e a Deus. Os invasores brancos, desprovidos de bússolas, estariam redondamente perdidos, como náufragos num oceano bravio. A diferença aqui é que era um oceano verde, de milhões de árvores e feras soltas...

Agora, os tempos são outros. Mas muita gente ainda continua perdida em águas revoltas de cobiça, vaidade, violência, egoísmo, carência de valores morais e numa selva de concreto em que, quando se sai de casa, não se tem certeza nenhuma se vai voltar. E esse tipo de perdição não tem bússola que resolva e nem norteie ninguém. (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

 PONTEIROS QUE SALVAVAM VIDAS

A palavra bússola vem do italiano e significa "pequena caixa". Essa caixa é composta de uma agulha magnética na horizontal, suspensa pelo seu centro de gravidade e aponta sempre para o eixo Norte-Sul. Atribui-se a descoberta dessa orientação natural aos chineses por volta de 2000 a.C. Descobriu-se que o minério de ferro magnetizado, quando colocado num pedaço de madeira a flutuar num recipiente com água, girava e adquiria sempre uma posição fixa.

Mas que força faz com que essa agulha sempre aponte nessa direção? Essa força física que é capaz de direcionar a agulha nada mais é que o magnetismo. Afinal, a Terra é um imã gigante e seu magnetismo sempre desloca a agulha na direção Norte-Sul.

E se eu não dispuser de uma bússola tenho como descobrir o Norte-Sul? Sim! O movimento do sol pode indicar o Norte verdadeiro. Mas para usar esse guia solar, é preciso se lembrar de algumas coisas importantes. No Hemisfério Norte, o sol sempre nasce no Leste e se põe no Oeste. Ao meio-dia, ele está no meio do horizonte e segue na direção Sul. Isso significa que, quando você estiver de frente para o sol ao meio-dia, andar em direção a ele o levará ao Sul. Caso ele esteja nas suas costas, você estará andando para o Norte. No Hemisfério Sul ocorre o contrário.

Mas você pode também usar seu relógio para encontrar o Norte verdadeiro. Se não for meio-dia e você quiser saber sua direção durante a luz do dia, um relógio analógico pode substituir uma bússola. Primeiro, certifique-se de que ele esteja marcando a hora certa. Depois, aponte o ponteiro da hora para o sol. Segurando o relógio no lugar, imagine um ângulo formado pelo ponteiro da hora e uma linha do 12 até o centro do relógio. Trace uma linha imaginária dividindo esse ângulo ao meio. Tal linha indica o Sul no Hemisfério Norte. Durante o horário de verão, crie o ângulo a partir do 1, e não do 12.

No Hemisfério Sul, aponte o 12 para o sol. Em seguida, forme um ângulo imaginário entre o ponteiro da hora e uma linha do 12 ao centro do relógio. A linha que divide esse ângulo ao meio representa o Norte. (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

IMAGENS DE BÚSSOLAS: Fotos reproduções de arquivos

 WWW.COLUNAITALO.COM.BR

Para poder andar no meio das florestas de Umuarama de antigamente, os vendedores de terras e os primeiros moradores deste Noroeste, no século passado usavam as bússolas – o único instrumento que evitava eles se perderem no imenso labirinto verde de gigantescas árvores. As bússolas salvavam vidas!

Além das florestas, existia um imenso território coberto de outros tipos de vegetações mais baixas. Se não houvesse a orientação através das bússolas também era fácil de perder o rumo e ir parar em lugares inimagináveis e não saber como voltar - além de correr o risco de encontrar onças e outros animais ferozes...

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