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UMUARAMA 63 ANOS
O comércio abria aos domingos!
O maior movimento na cidade era nos fins de semana e feriados...
Publicado em 26/06/2018 às 11:00 Italo
O comércio abria aos domingos!

Está é uma prosa do tempo em que o sonho e a realidade ocupavam o mesmo espaço. Segundo depoimentos colhidos por este repórter junto aos mais antigos pioneiros, aqueles que desbravaram a selva na fase pré-fundação da cidade, entre os anos 1952 e 54.

Época em que só existia a Colônia Mineira, uma pequena pensão rodeada por alguns barracões e casinhas da Cia. Melhoramentos, onde foram acomodados os agrimensores, topógrafos e operários da colonizadora que vieram para abrir a área destinada à futura cidade de Umuarama. Ali também havia uma serraria, onde era beneficiada a madeira usada na construção das pequenas casas da nova cidade.

Na falta, ainda, de uma estrada ligando Cruzeiro do Oeste a Umuarama, a colonizadora trazia mantimentos (alimentos) de São Paulo a bordo de pequenos aviões, os “teco-tecos”, que pousavam no recém aberto aeroporto de chão batido, bem pertinho da Colônia Mineira.

Quando não era possível trazer as compras por via aérea, apelavam para burros e cavalos que viravam meio de transporte para as cargas das compras feitas nos armazéns em Cruzeiro do Oeste ou, quando em falta, de mais distante, como Maringá e Londrina. Mas essa tarefa era muito sacrificada tanto para os animais como para os peões, pois o único caminho ainda existente era um largo picadão aberto na mata, projetado para ser a futura estrada de ferro (que até hoje não chegou...!).

Essa carência de vias de transporte, nos primeiros anos, impediu o desenvolvimento dos pioneiros comerciantes, alguns até desistiram de continuar no comércio, pois os produtos eram fabricados em grandes centros e o processo de transporte encarecia e até interrompia o abastecimento das prateleiras dos secos e molhados.

Também não existiam meios de comunicação para fazer os pedidos junto aos fabricantes ou atacadistas de fora. O comércio ficava na dependência dos “caixeiros viajantes” (os representantes comerciais da época), que às vezes demoravam semanas para passar por aqui para atender os pedidos dos nossos mercadores. Essa aflição atingia diretamente os consumidores, principalmente os maiores fazendeiros, que tinham grandes compras a fazer para alimentar os colonos e os bóias-frias.

Quando a demora era muita eles formavam tropas de cavalos e burros e saíam rumo a Maringá ou Londrina para fazer as compras necessárias. Uma viagem dessas às vezes durava até semanas, principalmente no outono e inverno, temporada de frio e chuvas intensas que tornavam os picadões quase impossíveis de percorrer.

E essa aventura continua, logo depois, naquela pracinha que foi o ponto de chegada de muita gente que ficou por aqui, como eu. Hoje chama-se Arthur Thomaz, mas naquele tempo nem nome tinha, era apenas um terreno vazio tendo ao centro apenas uma pequena cobertura que funcionava como parada de ônibus (as antigas “jardineiras”).

Considero esse lugar o marco zero de Umuarama, pois foi ali que surgiu o antigo centro comercial, uma construção de madeira de dois pavimentos, que os antigos chamavam de “Sobradinho”, concentrando as primeiras lojinhas, uma farmácia, o escritório de vendas de lotes da colonizadora Cia. Melhoramentos, um consultório médico e alguns bares, onde os pioneiros faziam a roda para comentar os assuntos da pequena cidade.

Assim que Umuarama foi oficialmente fundada, em 26 de junho de 1955, a colméia foi crescendo, reflexo da população que aumentava com a chegada de investidores e de gente que vinha de todos os lugares para trabalhar na lavoura ou derrubar mato. Os comerciantes foram se espalhando pelos quarteirões vizinhos da pracinha, subindo e descendo a avenida principal (hoje Paraná).

Segundo registros, a primeira construção comercial de madeira foi erguida pelo pioneiro Ricardo André. Na continuidade os empreendimentos foram se multiplicando em alta velocidade ao longo daquela via, chegando em pouco tempo ao outro extremo (hoje Praça Santos Dumont), e nas ruas e avenidas paralelas. Em menos de uma década, Umuarama contabilizava mais de mil empresas de vários segmentos cadastradas na Prefeitura!

Nos anos 50, as ruas ainda não tinham calçadas nem asfalto: era uma poeira insuportável no calor e um tormento nas épocas de chuvas, quando as baixadas do centro viravam lagoas de água misturada com lama, batendo pelas canelas dos pedestres e atolando conduções. Eram tempos difíceis e não existiam serviços de água encanada, esgotos e energia elétrica. Os botecos ao redor da antiga pracinha à noite eram iluminados com lampiões a querosene, que, avistados à distância, mais pareciam vaga-lumes pontilhando a escuridão.

Os anos continuaram passando e Umuarama fervilhando na febre de progresso, onde não havia lugar para a improvisação, unindo a providência divina e da fé ao trabalho para gerar o milagre vivo do crescimento. O progresso vai se acentuando e com ele a cidade transpira mudanças: de dia roncam os motores de tratores e motoniveladoras abrindo mais ruas, avenidas e estradas; à noite o ronco intenso é dos motores à óleo diesel que geravam luz elétrica no único hospital e alguns bares e residências de pioneiros mais privilegiados.

Não posso deixar de lembrar que o comércio funcionava aos sábados, domingos e até nos feriados, e cada comerciante determinava seu horário de atendimento, pois não existia nenhuma lei impondo a hora de abrir ou de fechar as portas.

Nos fins de semana Umuarama entrava em ebulição, uma verdadeira romaria consumista: colonos chegavam de todos os lados lotando carroças, charretes, caminhões e a cavalo para fazer compras. Ao cair da tarde, formando um formigueiro humano e filas quilométricas, retornavam às fazendas e chácaras provocando nuvens de poeira e um intenso burburinho.

Isso ocorria porque, durante a semana, eles trabalhavam duro na roça durante os dias inteiros. As fazendas e sítios eram distantes, então, não tinham tempo disponível para as compras. A única opção para comprar os alimentos, roupas, ferramentas, enfim, tudo que necessitavam para viver, era nos fins de semana e nos feriados.

E o comércio, claro, abria suas portas, afinal as vendas eram de grandes proporções – vale lembrar que a maioria da população vivia na zona rural, calcula-se que em torno de 80 mil habitantes!

Também não devo esquecer que na década de 50 quando alguém precisava de algum tipo de mercadoria que o comércio daqui não tinha, se via obrigado a ir a Cruzeiro do Oeste ou Maringá, enfrentando caminhos que mais pareciam picadões: percorrer essas “estradas”, verdadeiros túneis escuros sob a sombra das florestas, era uma grande aventura!

No começo os pioneiros viajavam a cavalo; depois foram chegando os caminhões e ônibus e, finalmente, apareceram aquelas máquinas fantásticas que venciam qualquer obstáculo: os jipes, com trações nas quatro rodas, que passavam “voando” pelas longas dunas de areia (arenito caiuá) e serpenteavam dançando no barro. Para eles não existia tempo ruim... Mesmo assim, uma viagem dessas consumia um dia para a ida e outro para a volta, isso quando o motorista era bom de volante!

Realmente, eram outros tempos... que as novas gerações não conseguem imaginar quão sacrificados eram! E justamente por isso merecem ser registrados para a posteridade. (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

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FOTOS EXCLUSIVAS DO ACERVO DA COLUNAITALO/Direitos Reservados

1954: Ao redor do primeiro ponto de ônibus, hoje Praça Arthur Thomaz, foram se instalando os pioneiros do comércio. Em primeiro plano, troncos de árvores, prova inconteste da devastação da floresta.

Nos feriados e fins de semana as lojas viviam cheias (esta era a famosa Casas Buri): eram os únicos dias em que o pessoal da zona rural podia fazer suas compras na cidade.

A Avenida Paraná já completamente ocupada pelo comércio na década de 1960, um tempo de prosperidade fruto da riqueza gerada pela cafeicultura...

O “Sobradinho”, um 'shopping' à moda antiga, reunia consultório médico, farmácia, loja, correios e o escritório da colonizadora.

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