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TRISTES RECORDAÇÕES
A TERRÍVEL SAGA DE QUEM CHEGOU DE “PAU-DE-ARARA”
Viagens torturantes atravessando o Brasil para tentar a sorte em Umuarama
Publicado em 19/06/2024 às 15:42 Italo
A TERRÍVEL SAGA DE QUEM CHEGOU DE “PAU-DE-ARARA”

Assim que a colonizadora Companhia Melhoramentos Norte do Paraná alargou a estrada entre Maringá e Umuarama e deu início às vendas de suas terras aos fazendeiros, teve início uma nova saga: a da corrente migratória interna que chegava “lá do Norte”, como se dizia antigamente. “Ser do Norte” era vir do Ceará, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Paraíba e, claro, de Minas Gerais, de onde saiu a maior leva de trabalhadores. Todos gente muito simples, que por aqui eram chamados simplesmente de “baianos”, não importasse se falava “uai!” ou “ô, xente!”. A grande maioria sonhava em enriquecer, ou pelo menos, juntar um dinheirinho para mais tarde poder comprar um pedacinho de chão. Vinham sem um tostão no bolso e nem tinham mudanças, apenas algumas trouxas de roupas, mas muita esperança de se dar bem nesta Terra Prometida.

Essa legião tinha algo em comum: todos eram absolutamente pobres, diria paupérrimos, sem dinheiro algum para pagar uma passagem de “jardineira” (ônibus) ou fretar caminhão para trazer a família e a mudança. O único recurso para viajar “lá do Norte” para esta nova fronteira que se abria era vir de “pau-de-arara”, um tipo de transporte coletivo torturante (ver detalhes no quadro desta página) a que se submetiam os migrantes.

Esses caminhões “paus-de-arara” eram veículos desumanos e quem viajava neles chegava a chorar de dores pelo corpo inteiro depois de algumas horas de percurso. Agora, imaginem caros leitores: uma viagem do Nordeste até aqui durava um mês, num trajeto de mais de 3 mil quilômetros. De Minas, já era um pouco mais perto, a metade, mais ou menos... Cãimbras, dores nos ossos, constante ânsia de vômito sob um calor sufocante debaixo de uma lona e percorrendo uma distância infindável.

Por falta de dinheiro, alguns só comiam farofa, mandioca cozida, tomate cru, comprados pela estrada. A água, em tambores, muito quente, era racionada e cada um só podia beber alguns goles, pois, no “pau-de-arara” se acotovelavam dezenas de pessoas, entre homens, mulheres e crianças...

Desumano, não disse? Muitos ficavam doentes e, para não atrasar a viagem, eram deixados em pequenas cidades e que cada um se virasse para encontrar um médico ou um hospital. Os donos desses caminhões tinham hora e dia para chegar ao Paraná, mais precisamente em Umuarama, e nem mesmo o risco de morte de alguém os sensibilizava a aceitar qualquer tipo de atraso.

Quando aqui chegavam, geralmente ali na Praça Arthur Thomas, onde funcionou a primeira parada de ônibus, acabava a viagem. Os migrantes saíam em disparada em direção aos lugares onde os fazendeiros contratavam trabalhadores: alguns bares, armazéns de secos e molhados e serrarias tinham gente de plantão (um tipo de balcão de empregos) para empregar esse pessoal recém-chegado.

Outros, que aportavam sem eira nem beira, se espalhavam a pé à procura de emprego, seja aqui no comércio, ou para servir como pedreiro, carpinteiro, carregador de café, para carpir e limpar terrenos... Na época, aqui ainda não existia Prefeitura, portanto, arrumar uma colocação aqui na cidade de Umuarama, ainda uma pequena vila, era uma dificuldade tremenda. O jeito mesmo era rumar para a zona rural, onde o trabalho pesado na agricultura era tão sacrificado quanto uma viagem de “pau-de-arara” e, o pior, mal remunerado. Muitos chegavam a trabalhar pela comida e por um teto, até encontrar algo mais promissor.

Essa multidão de migrantes chegados “lá do Norte”, a maioria, não fez fortuna por aqui como sonhava. Passou anos a penar na cafeicultura como empregados. Quando veio a última grande geada, em 1975, debandaram para outros lugares no maior êxodo da história. E, na mesma situação em que haviam chegado a Umuarama: sem um tostão no bolso.

Outros, felizardos e abençoados pela bendita sorte, aos poucos foram juntando dinheiro daqui e dali até poder comprar um sítio ou uma chacrinha. Rico mesmo, creio que nenhum deles ficou. Só fizeram fortunas as serrarias, as cafeeiras e os fazendeiros que já haviam chegado magnatas e saíram ainda mais ricos...

Se hoje os “bóias-frias” que ainda existem no campo não têm perspectiva de progredir, imaginem aqueles sofredores de meio século atrás... (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

Famílias de migrantes oriundas do Nordeste e de Minas Gerais, na fase inicial do ciclo da cafeicultura chegaram a bordo dos abomináveis “paus-de-arara”, viajando milhares de quilômetros à procura da Terra Prometida.

Diante de uma viagem torturante nesses caminhões, muitos ficavam doentes e eram abandonados pelo caminho.

Má alimentação, calor insuportável e as longas distâncias foram sacrifícios a que se submeteram os trabalhadores.

A esperança por uma vida melhor e a compra de um sonhado espaço de terra para plantar, fizeram com que os migrantes enfrentassem duras jornadas a bordo dos “paus-de-arara”.

Sob o sol causticante, tendo como proteção apenas uma lona, o caminhão virava um verdadeiro micro-ondas ligado...

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