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INFÂNCIA FELIZ
Criança deve brincar e curtir a Natureza lá fora!
É importante andar na areia, na grama, na terra do quintal...
Publicado em 21/03/2017 às 00:00 Ítalo
Criança deve brincar e curtir a Natureza lá fora!

Seu filho mal começa a engatinhar e já descobre como é divertido explorar um gramado e tocar em plantas e flores. Os meses passam e ele se diverte ao soprar bolhas de sabão, construir castelos de areia, chutar bolas, subir em escorregadores e árvores.

Logo está pedindo para brincar de pega-pega, esconde-esconde e corrida. Então descobre a amarelinha, o corre-cotia, o cabo de guerra e tantas outras atividades perfeitas para espaços abertos de todos os tamanhos: do quintal de casa e da praça do bairro, passando pelos parques da cidade e até praias e campos que se estendem a perder de vista.

As brincadeiras dentro e fora de casa se completam e são igualmente importantes para o desenvolvimento das crianças.

Mas tem algo que só o ambiente externo pode proporcionar: a integração com o espaço natural. “É importante andar na areia, na grama, na terra e no chão duro, sentir como todas essas superfícies são diferentes. E também reparar em nuances na luminosidade do dia, que varia de manhãzinha, na hora do almoço e ao entardecer”, explica André Trindade, psicólogo e psicomotricista do Núcleo do Movimento, em São Paulo.

 

BRINCADEIRAS PARA CRIANÇAS DE TODAS AS IDADES

As opções são muitas e os lugares abertos podem proporcionar momentos simples e divertidos. Vale conversar com a criança sobre tudo o que há no lugar: animais, plantas e objetos.

Em um sítio, por exemplo, dá para repetir os sons dos bichos e alimentá-los e deixar as crianças colherem frutas de árvores. Na praia, vocês podem fazer castelos e desenhos na areia.

No início, algumas crianças têm medo de entrar na água, mas o receio é normal, já que se trata de uma descoberta de um espaço sem fronteiras, muito distinto do quarto, da sala ou de uma brinquedoteca.

Para quem tem filhos pequenos, vale esta dica: firmar um ponto ao redor do qual vocês possam brincar juntos, seja um banco ou um colchonete, até que eles alcancem segurança para ir cada vez mais além.

Todas essas ações colaboram para enfrentar o desafio contemporâneo de uma infância entre quatro paredes. “Diferentemente de um tempo não muito distante, em que se brincava na rua e nos campinhos, divertir-se ao ar livre é, hoje em dia, uma experiência mais rara, em especial nas grandes cidades”, diz Tania, Ramos Fortuna, professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

 

UM MUNDO À ESPERA

Experiências como essas são, sob diversos aspectos, fundamentais para o desenvolvimento infantil. Antes de tudo, há os benefícios para o corpo, que vão muito além das vantagens mais óbvias, como tomar sol (em horários adequados) e exercitar-se.

Quando brinca ao ar livre, seu filho se move com mais liberdade, conhece a si mesmo, testa velocidades e distâncias. “Tudo se torna mais distante e amplo em comparação com o quarto e demais ambientes fechados. Com isso, a criança precisa explorar o espaço em outra escala: deslocar-se, conduzir objetos e ocupar o entorno com próprio corpo”, diz Tania.

 

COMO ESCOLHER A ATIVIDADE FÍSICA IDEAL PARA O SEU FILHO

E os ganhos corporais não param por aí: nos primeiros cinco ou seis anos de vida, quanto mais a criança se movimenta e aciona grandes músculos – como das pernas e dos braços – maior é o estímulo ao cerebelo, região localizada na base do cérebro, onde acontecem as sinapses (conexões entre os neurônios).

O resultado desse processo é o desenvolvimento de habilidades como organização espacial e equilíbrio, decisivas para todas as outras competências motoras futuras. Nesse sentido, brincar em locais fechados ajuda, mas não com o mesmo impacto.

Sem contar a força extra que o sistema imunológico ganha com os inevitáveis arranhões e o contato com as bactérias presentes no ambiente.

“É certo que os pais devem garantir que os filhos brinquem em lugares seguros. Mas meninos e meninas precisam se machucar – eles mostram casquinhas de feridas como troféus da batalha da vida, que é capaz de se refazer e se reconstituir. E precisam disso até mesmo para saber a diferença entre um pequeno raspão e um eventual machucado mais sério”, explica o psicólogo André.

Mas o que muda quando pais e filhos embarcam juntos nesse tipo de diversão? “Rompe-se a hierarquia estabelecida e todos se encontram em um plano no qual podem experimentar, com seus corpos, uma experiência lúdica capaz de enriquecer, e muito, as relações familiares”, diz Tarcísio Mauro Vago, professor da Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

BRINCAR DO QUÊ?

Uma iniciativa simples e muito prazerosa é resgatar brincadeiras que vocês, adultos, curtiam quando crianças e apresentá-las aos filhos, de acordo com a faixa etária deles – seja pipa, peteca, barra-manteiga, bola de gude ou ciranda (veja mais dicas abaixo). Dessa forma, eles têm a chance de, a um só tempo, participar de uma prática rica em trocas interpessoais e usufruir de um patrimônio que pertence à cultura brasileira.

 

UMA CHANCE AO DIFERENTE

É nos espaços abertos ainda que as famílias têm excelentes oportunidades de incentivar os filhos a interagir com crianças de diferentes idades, sejam irmãos, primos ou parceiros de brincadeiras. “Nas escolas, o convívio se dá essencialmente entre crianças da mesma faixa etária. Isso é prejudicial, pois os mais novos têm muito a aprender com os mais velhos, que por sua vez aprendem ensinando os pequenos”, diz André.

Para pais com crianças de idades distintas, não há dilema: ainda que um dos filhos já corra, salte, pule e o outro esteja apenas começando a descobrir o mundo, cada qual, dentro de suas limitações, terá sua maneira de interagir consigo mesmo, com os outros e com o ambiente ao redor. Se a sua família ainda não tem esse hábito, comece já a praticá-lo!

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ARTIGO ESPECIAL:

Sujeira faz bem para a saúde?

Por DRA. ANA ESCOBAR

Os microrganismos que causam doenças, algumas fulminantemente mortais, são invisíveis aos nossos olhos. São “inimigos” que não conseguimos enxergar e que procuramos evitar a todo custo. Lutamos contra o que não podemos ver e que nem sabemos ao certo onde estão: pode ser em um alimento contaminado, na maçaneta de uma porta, voando no interior em um mosquito ou simplesmente no ar que respiramos.

Lavar as mãos com frequência é sabidamente uma das formas mais eficazes para prevenir a contaminação por estes temíveis agentes infecciosos. Sabemos  que esta é uma das recomendações de saúde mais corretamente divulgadas.

No entanto, há também um outro grupo de bactérias, não patogênicas,  que convivem naturalmente e em completa harmonia no nosso corpo. Para cada célula de cada um de nós, há pelo menos 9 bactérias. Isso mesmo. Nosso organismo tem mais bactérias do que células.

Não é possível viver sem estas bactérias. Precisamos delas para muitas funções e uma delas consiste no estímulo saudável do sistema imunológico. O sistema de defesa humano precisa ser estimulado para funcionar bem. 

Cabe, portanto, a pergunta: onde muitas destas bactérias “do bem” são normalmente encontradas?

Na “sujeira”. Exatamente assim. Por isso é importante que as crianças, quando começam a engatinhar, já tenham contato com o mundo que as cerca. Devem explorar o espaço à sua volta  em suas diferentes texturas, formas e cores. Isso significa que devemos deixar os pequenos livres para brincar e entrar em contato com areia, terra, grama ou com o pó do  chão de casa, por exemplo.

O sistema imunológico, quando naturalmente estimulado, torna-se mais potente e mais eficaz. Estudos apontam que crianças que têm contato com este tipo de “sujeira” têm menor incidência de doenças alérgicas. Funciona também para os adultos.

Lavar as mãos é essencial para a prevenção de doenças potencialmente graves, causadas por microrganismos patogênicos, que não enxergamos e que devemos evitar. Por outro lado, hábitos exagerados de assepsia podem ser prejudiciais ao estímulo do nosso sistema imunológico.

Portanto, é importante que se defina um equilíbrio saudável entre o contato de crianças - e de adultos, claro -  com a “sujeira” e a com a “limpeza”. Este ponto de equilíbrio é dado pelo bom senso que deve nortear nossas atitudes cotidianas.

A vitamina “S” (de sujeira), com bom senso e equilíbrio,  pode fazer parte da vida e também pode significar saúde.

(*) DRA. ANA ESCOBAR é uma médica pediatra formada na Faculdade de Medicina da USP. Além de ser uma médica com vários títulos acadêmicos, atuar no Instituto da Criança da USP, dar aulas na Faculdade de Medicina também da USP e trabalhar diariamente no consultório resolvendo desde resfriados muito simples até doenças muito complexas, doutora Ana assina artigos altamente importantes para orientar pais e crianças.

 

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